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OMG! She's a book reviewer!



Quarta-feira, 22.05.13

Afonso Cruz - Jesus Cristo bebia cerveja

 
Este livro foi a maior surpresa do ano até agora. Eu imaginava que fosse bom, mas as minhas vistas curtas nunca me permitiriam entrever que fosse TÃO bom.
Já a imaginação de Afonso Cruz é um completo universo em expansão, não existem limites para aquilo que ele é capaz de criar. Jerusalém no Alentejo? A última ceia com cerveja? O livro que uma personagem está a ler anexado ao próprio livro? Um ensaio sobre a importância das nádegas na formação de um cérebro capaz de pensar? A originalidade desde senhor é assombrosa.
Como vem sendo hábito nesta geração de escritores, voltamos ao ambiente rural, ao provincianismo, à disforia e à injustiça da vida. No meio de tanta tristeza salva-nos o humor negro e a ironia que nos fazem rir com prazer («Pegou numa corda e pendurou-se numa figueira. Foi o mais estranho fruto daquela árvore.»; «(...) e até ela comer a nossa farmácia.»).
O capítulo 37 foi uma das coisas mais bonitas (e mais tristes) que li nos últimos tempos.
Resta-me o pânico de imaginar que posso ter lido o melhor livro dele e o medo de afirmar que, depois disto, a par com Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz é o meu jovem escritor português preferido.
 
Trago uma pergunta cá dentro que grita à procura de resposta, resposta essa que só Afonso Cruz me poderia dar. Preciso de saber, afinal, se Rosa leria este livro. E, se sim, o que acharia dele.
 

Citações:
 
«Mesmo os lugares mais rarefeitos, como o espaço sideral e a estupidez humana, são preenchidos por alguma coisa: luz, metais leves, preconceitos, partículas e subpartículas dos átomos, radiações, chavões e telenovelas.»
 
«Nós só temos um cérebro capaz de pensar na lógica de Aristóteles e na teologia de Tomás de Aquino porque temos umas nalgas extrovertidas.(...) Acaba-se com o traseiro e vai-se o pensamento mais piedoso.»
 
«É evidente que ninguém é verdadeiramente Deus se não experimentar passar umas tardes a jogar dominó e lerpa nos jardins e nas praças, enquanto desenvolve a bizarra capacidade de apreciar rosé com gasosa.»
 
«- O amor não se compra.
- Mas paga-se caro.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Inês às 22:54


13 comentários

De efemota a 09.08.2013 às 00:38

A cena do gonçalo m. tavares é que é diferente de uma maneira tão única! Fico à espera do ricardo adolfo ;)

ora essa

De Virgilio Bernardes a 10.10.2013 às 14:17

Olá Inês, venho desde já te agradecer pelo teu trabalho realizado na divulgação da literatura. Sou um seguidor assíduo dos teus vídeos, baseio todas as minhas compras nas tuas opiniões, fico sempre alerta para os livros que críticas aqui no youtube, de facto és a minha guru literária. Já há algum tempo que estou para comentar um dos teus vídeos mas por preguiça/timidez nunca o tinha feito. Faço hoje, e agradeço por todas as boas obras que li ate hoje baseadas nas tuas críticas, agradeço por me teres dado a descobrir Afonso Cruz, fiquei fã, estou a meio de ter todas as suas obras, e até agora tem sido uma descoberta incessante a cada obra que leio. E muito mais obras que li baseado nas tuas críticas, O Livro de JLP, que adorei, Muitos de Saramago que não tinha lido, etc etc. Lembro-me de ter lido num post algures nos teus espaços virtuais em que referias que tinhas a sensação de não ter conquistado gente para este teu cantinho, para alem das pessoas que já são entusiastas por literatura. Posso te dizer que não é assim, conquistaste-me a mim, que já não lia há muito tempo, por falta de orientação no que escolher, parece que não, mas a escolha é enorme hoje em dia, e o dinheiro não abunda, logo basta 2 ou 3 obras mal escolhidas para qual um por a literatura de parte por uns tempos. O que é errado certamente. Desde que comecei a ler novamente tenho sentido emoções que há muito julgava desaparecidas, puro encantamento, ternura pelas personagens, amor verdadeiro pelo livro, olhando para ele como um companheiro, um amigo, e não como uma coisa física. Espero que continues com este trabalho perfeito, esta forma apaixonada ao falar a linguagem da literatura.
Por minha parte prometo divulgar este teu cantinho a amigos e tentar cativar mais gente para a literatura, numa altura em que infelizmente toda a gente parece só gostar de ver TV.
Para acabar deixo um pensamento factual para toda a gente reflectir.
Constato que os meus avós lêem muito mais que os meus país, que meus tios, meus irmãos e meus amigos. Constato que são os únicos que ainda lêem jornais, almanaques, livros de todo o tipo, e parecem gostar de tudo o que lêem. Será que as camadas mais jovens deixaram de ler definitivamente?...

De Inês a 12.10.2013 às 13:09

Olá Virgilio,

Desculpa demorar a responder mas quis ter tempo para fazê-lo condignamente.
Não imaginas o quanto as tuas palavras são motivadoras. Não o digo só por serem simpáticas e elogiosas, mas porque foi para pessoas como tu que eu criei o meu canal e é para ter reações como a tua (não digo iguais, mas pelo menos um pouquinho semelhantes) que continuo a mantê-lo vivo. Quero apaixonar as pessoas pela leitura! Quero apaixonar aquelas que nunca leram ou aquelas que, como tu, nalgum momento se desencontraram com os livros e não tiveram vontade para retomar a caminhada. É um prazer tão grande poder fazê-lo, e saber que pelo menos funcionou com uma pessoa é o bastante para me fazer feliz. Muito, muito obrigada pelo teu testemunho :)
Vou tentar responder à tua questão. Se pensarmos nos tempos dos nossos avós parece-me óbvio que as "distrações" eram menores. Não havia televisão, não havia internet, não tinham jogos de computador. A rádio, a leitura e o convívio com familiares e amigos eram as fontes de entretenimento. Era também através das letras que se fazia política, que as pessoas se insurgiam e criticavam a sociedade, era a forma mais eficaz de fazer passar uma mensagem. Não é por acaso que nos romances de Jane Austen, por exemplo, as personagens davam sempre imenso valor a quem tinha uma extensa biblioteca. Era sinónimo de riqueza e cultura (até porque a maior parte dos livros eram bons, o crivo era apertado, quantidade era sinónimo de qualidade ao contrário dos dias de hoje).
Para além disso a leitura é um hábito. É preciso ler muito e constantemente para se adquirir o gosto pela literatura. Acho que muitos jovens nunca deram essa oportunidade aos livros de os poderem conquistar. Estamos numa era em que tudo se quer rapidamente. É pena, mas não vamos desistir :)

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